29/06/2011

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PESQUISA - EQUIPES DE TRABALHO

  
ATENÇÃO O PRESENTE TRABALHO É DESTINADO
SOMENTE PARA PESQUISA,
NAO PODENDO SER COPIADO E TRASCRITO



Alunos:
Antonio Carlos Dos Santos
Reginaldo Jose Inacio Leles______________________________________________________

Trabalho de Graduação Interdisciplinar
Curso de Administração de Empresas
Matéria de Gestão Empresarial
Faculdades Integradas de Botucatu.
Orientador: Profº. EDUARDO A. DELAMONICA

EQUIPES DE TRABALHO:
RESUMO:
O trabalho apresentado cujo titulo é “Equipes de trabalho” consiste em uma abordagem sobre a relação dos lideres com as suas equipes, mostra vários exemplos como um líder deve proceder no seu dia a dia, para obter um bom relacionamento com sua equipe e atender as necessidades de seus liderados, visando à melhor forma de trabalho para atingir as metas propostas pela empresa.

INTRODUÇÃO:
No novo conceito de empresa, não pode resistir a idéia de um setor ou área que consiga trabalhar sem o conceito de equipe, e, existem vários tipos de equipes de trabalho, cada qual precisa ser tratada de forma diferente, o líder que monitora, supervisiona e gerencía precisa saber diferenciar as equipes dentro de sua área e principalmente saber como fará a gestão destas. Este trabalho visa estudar as formas de gestão, e, ajudar os lideres escolher a melhor forma à ser usada em sua área, superando as expectativas de seus liderados, e por fim transformando toda esta motivação em resultado para a empresa.

O PROPÓSITO DE GRUPOS E EQUIPES:
Houve um tempo que a administração não precisava se preocupar com o pensamento de seus subordinados, bastava mante-los agrilhoados, supervisionados por um capataz eficiente no uso do látego, eles seriam produtivos. Outras formas mais sutis e menos dispendiosas de energia foram empregadas com sucesso para alcançar a mesma finalidade. Ora, invocava-se a origem divina dos governantes e seus poderes sobrenaturais, ora, mantinham-se as pessoas ignorantes, acreditando que as coisas deveriam continuar sendo exatamente como sempre tinha sido.
Essa pratica, ficou no passado. Já faz tempo que as organizações aprenderam que devem se importar com o que pensam seus colaboradores, e mais, descobriram que podem se tornar mais produtivas e sobreviver a longo prazo se agirem deliberadamente dessa forma. No entanto, embora muitas organizações modernas tenham  consciência da importância de seus colaboradores sendo que tais constituem grupos com excelente potencial para alcançar resultados.
A capacidade de trabalhar em equipe é um requisito vital para a obtenção de resultados, quando se considera o potencial sinérgico dos grupos. Um conjunto de pessoas tem qualidades e propriedades coletivas que  separadamente não manifestam. Bem administrado, esse potencial se torna poderoso instrumento de trabalho. Em qualquer organização, há inúmeras situações que demandam o uso do trabalho em equipe, por exemplo, os membros de uma diretoria mesmo estando fisicamente separados, devem agir como um todo integrado num conjunto de propósitos comuns e não como senhores feudais. O mesmo vai se repetir nas gerencias em que cada uma dessas diretorias esta dividida, e assim por diante, até o menor nível de divisão do trabalho que pode ser o grupo de montadores numa linha de produção ou o grupo de cientistas no laboratório de um centro de pesquisas. Se não houver um espírito de equipe em qualquer um desses grupos, cada um de seus elementos tendera a ir para seu próprio lado, e os propósitos que deveriam ser comuns ficam comprometidos.

CONHECER AS EQUIPES É FUNDAMENTAL PARA A LIDERANÇA.
Para que a chefia possa desenvolver estilos adequados de liderança em relação a seus subordinados, por certo precisa conhecê-los, diagnosticando seus valores, cultura, potencialidade e nível motivacional.
O empregado cuja motivação é segurança, estará voltado para estabilidade e os desafios que por envolverem riscos não serão recebidos por ele de forma eficaz. Já o empregado que numa forma de maturidade mais avançada, com sentimento de auto-estima e aspirações de prestigio, não só esta propensa a aceitar como busca o desafio como forma de realização. Cada funcionário é um tipo de existência, exigindo tratamento especifico, para que de um adequado relacionamento surjam os resultados esperados.
O nível de participação do grupo depende do modo como o líder utiliza seu poder de autoridade. Quando este centraliza a decisão, declina a participação grupal: quando utiliza menos sua autoridade, estimula o envolvimento da equipe na solução dos problemas
O comportamento do líder em relação ao exercício decisório, caracteriza-se por uma das opções seguintes.
Decide e informa: O assunto é apresentado ao grupo como matéria vencida, e espera que todos façam.
Decide e persuade: Passa a idéia que teve e tenta convencer o grupo que esta é a melhor opção para ele e para a empresa.
Busca sugestões para decidir: Passa sua idéia e pede sugestões para o grupo aprimora-la e depois toma a decisão.
Procura envolver o pessoal na decisão: Expõe o problema e estimula o grupo a participar de sua analise e a apresentar alternativas para solução.
A decisão é transferida para o grupo: Nesse caso, o líder passa a se comportar como um integrante do grupo, expondo o problema e todas as informações para o seu entendimento e espera que o grupo tome a decisão e solução do problema.
Qualquer que for a decisão que o líder tomar para a solução dos problemas, só será eficaz se ele conhecer as pessoas que fazem parte de sua equipe, pois dentro de varias equipes de trabalho existem vários tipos de comportamento pessoal, somente depois de conhecer a fundo sua equipe o líder pode escolher a forma de tomar as decisões, e se não conhecer a equipe pode optar em deixar a decisão por conta dor funcionários, se o grau de maturidade da mesma não for extremamente elevado pode tomar a decisão errada e por fim deixar o líder em uma posição delicada, como também pode tomar todas as decisões sem consultar a equipe e correr o risco de perder excelentes idéias como também de inibir o crescimento de seus subordinados.
Objetividade coerência e estabilidade emocional dão integração e segurança à equipe.
O comportamento coerente e equilibrado do líder definindo claramente os objetivos, orientando corrigindo solicitando sugestões e estimulando o livre curso das idéias, reforça a segurança dos subordinados e cria oportunidade para sua contribuição criativa.
Ambiente estável e moral elevado contribuem decisivamente para a produtividade. Todavia é comum ao líder por sua instabilidade emocional- humor variado, explosões emocionais, atitudes irônicas e critica sistemática irem minando a segurança dos subordinados, levando a inibição e a apatia.
A produtividade pressupõe a existência de uma equipe cooperativa e coesa, Essa integração não surge por acaso, nem mesmo se pode esperar que os empregados respondam com uma boa vontade espontânea e descontraída. Participação engajamento, responsabilidade e interesse são resultantes de uma ação orientada pela chefia.
Compreensão humana, tolerância para com falhas eventuais, abertura a discussão, preocupação permanente em educar e não apenas em punir, é o que qualifica uma liderança para a obtenção de um bom relacionamento cooperativo em grupo. As pessoas possuem necessidades que esperam ver satisfeito no trabalho e a chefia tem o dever de conhecê-las para, na medida do possível, procurar atende-las.
Um líder na verdade precisa ser mais (humano) do que chefe precisa sair do pedestal que usa e definitivamente vestir a camisa de sua equipe, somente desta forma os subordinados verão que tem alguém em quem confiar o líder que fica dentro de uma sala olhar sua equipe por uma janela, e achar que conhece sua área, este estilo de liderança esta condenada ao fracasso, não adianta passar por toda sua área cumprimentar um a um os seus subordinados se na hora que eles precisarem não podem contar com seu líder, existem lideres que fazem exatamente aquilo para que seja pagos, olhar e administra sua área, uma líder de verdade briga por sua área se um subordinado esta com problema na área de RH ela sai e o acompanha para solução do problema somente desta forma o subordinado vera que tem alguém que pode confiar, e não ficar sentado na sua linda mesa e quando um subordinado lhe passa um problema que é parte do RH ele olha e diz (isto não é minha parte, vá ate o RH e resolve seu problema).
Confiança se conquista não se compra com sorriso ou aumento salarial, para conseguir a confiança de uma equipe pode levar meses, mais para perder basta somente uma palavra.
Por este motivo um líder precisa passar claramente as informações a sua equipe, de forma que todos entendam sem deixar duvidas ou brechas para que sua informação possa ser usada contra ele mesmo.

A EQUIPE É O REFLEXO DE SEU LÍDER:
Existem vários tipos de pessoas, como também vários tipos de lideres, existem os lideres respeitadores, calmos que fazem perguntas e analisam antes de tomar decisão, e que tem um ótimo relacionamento com outras áreas, existem também os lideres grosseiros, que perdem a paciência com facilidade gritam o falam palavrões a todo o momento e não tem um bom relacionamento com outras áreas da empresa, estes tipos de liderança influenciam ferozmente o comportamento de sua equipe, os liderados assumem o perfil de seu líder dentro da empresa, um líder turrão terá uma equipe de pessoas turronas, um líder calmo terá uma equipe de pessoas calmas, os liderados procuram seguir o estilo de seu líder até no relacionamento com outras áreas da empresa, quando um líder não se da bem com outras áreas da empresa a sua área fará a mesma coisa.
Por este motivo que a liderança e acima de tudo o ato de educar, um líder deve acima de tudo ser educado, para poder educar sua equipe, em muitos casos esta educação faz com que o líder seja admirado por todos e respeitado dentro da empresa.

A DIFERENÇA ENTRE MEDO E RESPEITO:
Toda a empresa presa os lideres de fácil convivência, os lideres que trabalham com um chicote nas mãos podem em um primeiro momento fazer com que todos façam aquilo que quer, não por vontade própria, mas sim por medo, o medo do líder é o primeiro sintoma de que uma área ou setor não esta indo bem.
Existe um abismo imenso entre o medo e o respeito, os lideres que trabalham com sua equipe causando medo por seu modo de agir ou maneira de falar terá a equipe em suas mãos enquanto ele estiver por perto, ao primeiro sinal de que este líder saiu ou por algum motivo não esta presente a equipe volta a cometer o mesmos erros, por fim, o líder que tem o respeito de sua equipe, não precisa estar presente para que a área ande bem, todos têm a consciência que se algo acontecer de errado o líder ficara ao lado da equipe e resolvera o problema da melhor forma possível.

O EXEMPLO DA CANOA NA TURBULÊNCIA:
Em um exemplo clássico de como a equipe vê o líder, este precisa a cada dia educar e treinar sua equipe para que nos momentos de dificuldade possam ultrapassar os obstáculos e seguir adiante.
Um exemplo pratico é, uma equipe de remo em que o timoneiro (líder) fica atrás de todos ditando o ritmo e olhando para o caminho a seguir este tipo de líder não se encaixa no contesto de hoje, pois ele apenas dita o ritmo e só ele sabe para onde este indo, a equipe faz o esforço sozinha.
O líder de hoje precisa ser como o timoneiro de uma equipe de hafting, (descida de correntezas), onde ele também esta no meio de todos rema junto com a equipe faz o mesmo esforço, todos olham juntos para o caminho que estão seguindo, apesar de estarem treinados, se no meio do caminho aparecer uma pedra muito grande, a equipe não se desespera, pois tem confiança de que o líder tomara a decisão correta, ele apenas mexe a cabeça para a esquerda ou direita e as pessoas o seguem.
O líder de hoje precisa estar junto com a sua equipe, tomar a decisão correta na hora certa, pois na hora da turbulência não da tempo de treinar ou fazer uma reunião para discutir o assunto.

COMO DAR ÊNFASE AO TRABALHO DA EQUIPE E NÃO AO SEU:
Existem lideres que dão ênfase exagerada ao seu trabalho esquecendo que a importância principal é sua equipe e não o sua auto realização, o texto abaixo mostra varias dicas para evitar estes exageros.

Nunca diga
Diga
Minha responsabilidade
Diante da nossa decisão
Meu
A filosofia da nossa empresa recomenda
Tem que ter minha assinatura
Tem que passar pelo parecer dos presentes
Sou contra
Somos todos contra
No meu modo de pensar
Após muita reflexão
Minha política tem sido
Os procedimentos usuais
Recomendo
Após analisar, recomendamos
Aprovo
Vamos submeter à aprovação de todos
Decido que
Vamos votar democraticamente
Eu acho
Tenho convicção

MATURIDADE E IMATURIDADE:
Chirs Argyris, em 1964, lançou sua Teoria da Maturidade-Imaturidade, segundo a qual as praticas da administração afetam o comportamento e o crescimento pessoal do empregado na organização.
Segundo a teoria, o empregado passa por um continuo crescimento no trabalho, indo de um estado passivo até um estado de consciência e controle do “eu”.
Assim:
Imaturidade
Maturidade
Passivo
Ativo
Dependente
Independente
Rígido
Flexível
Interesses superficiais
Interesses profundo
Perspectiva limitada do tempo
Ampla perspectiva do tempo
Subordinado
Igual ou superior
Falta de consciência do “eu”
Consciência e controle do “eu”

Argyris admite que poucos empregados atingem a maturidade completa, principalmente porque a natureza formal das organizações apóia as chefias autocráticas e tendem, assim, a manter os empregados cada vez mais passivos e, por conseguinte, imaturos.
Argyris sugere como ideal uma administração democrática onde todos os funcionários tenham oportunidade de crescer e amadurecer, como indivíduos e como membros de um grupo.

COMUNICAÇÃO:
A comunicação é o primeiro passo para toda e qualquer atividade. Principalmente no trabalho, comunicamo-nos a cada instante, seja falando escrevendo, gesticulando ou sinalizando, Por isso, uma boa comunicação é fundamental para o exercício da liderança para com suas equipes de trabalho.
A comunicação implica na emissão de uma mensagem por uma pessoa e o recebimento dessa mensagem por outra pessoa.
As distorções numa comunicação são chamadas de ruídos. Sempre que ocorrer um ruído, pode-se ter a certeza de ter havido falha num dos quatro elementos básicos descritos abaixo que são imprescindíveis para uma boa comunicação.
Emissor  2. Receptor 3. Meio 4. Receptor
Como garantir uma boa comunicação para com uma equipe de trabalho.
Não é preciso nenhum dom especial. Eis algumas recomendações que evitam a ocorrência de ruídos e proporcionam uma boa capacidade de expressão.Planeje cuidadosamente sua comunicação: use as palavras de forma adequada, sem faltas nem excessos. Algumas pessoas gastam muito tempo e muitas palavras para dizerem coisas para dizer coisas que na verdade são simples. A prolixidade cansa o receptor e dispersa sua atenção da mensagem, seja ela escrita ou falada.
Antes de fazer uma comunicação decida qual a forma mais adequada para fazê-la, Se o que você quer transmitir requer muitos dados, é preferível que seja por escrito.
Se você via usar a sua voz, procure falar clara e pausadamente. Se for escrever, faça-o de forma legível. Em ambos os casos, limite-se comunicar aquilo que realmente seja importante. Evite dados supérfluos e irrelevantes.
Evite comunicar-se sob estado de tensão emocional. Sob tensão, geralmente as pessoas falam mais do que devem e quase sempre pecam pelo exagero ou radicalismo. Aguarde recuperar a serenidade para comunicar-se.
Use a mesma linguagem do receptor. Ao usar expressões regionais, típicas ou técnicas, verifique antes se elas são do entendimento do receptor. Uma comunicação empresarial não pretende ser uma obra literária.
Aborde um assunto de cada vez. Ninguém pode pensar em duas coisas ao mesmo tempo.
Evite recados. Instruções verbais devem ser dadas diretamente a quem cabe executá-las. Ademais, um verdadeiro líder nunca despreza a oportunidade de manter contato pessoal com sua equipe.
Sempre que possível use exemplos. O exemplo esclarece a mensagem de modo quase sempre mais compreensível.
Ao concluir a sua comunicação, verifique se você foi compreendido faça e estimule perguntas. A este processo chamamos “feedback”.
Não interrompa seu interlocutor. Aguarde sua vez de falar; enquanto isso ouça atentamente e pondere a respeito daquilo que você esta ouvindo.

MOTIVAÇÃO.
Partindo do fato que o atendimento das necessidades de salário e segurança quase sempre foge da alçada do chefe (uma vez que tais aspectos fazem parte de uma política global da empresa) apresentaremos, a seguir, algumas sugestões praticas para a motivação de uma equipe de trabalho.
Respeite seus subordinados:
Todos os empregados gostam de se sentir valorizados. Ninguém é inteiramente incompetente. Aprenda a desenvolver o potencial positivo de cada empregado, reconhecendo e estimulando o bom desempenho, com palavras elogiosas e incentivadoras. Mesmo que alguém cometa um erro, não o humilhe, nem o critique diante de outrem: chame-o a sós e mostre-lhe o erro; informe-se das causas e combine a correção, bem como as medidas preventivas.
Não tenha favoritismos pessoais.
Poucas coisas desmotivam tanto um empregado como saber que seu líder “prefere” outro colega. Isto o fará pensar que jamais terá seu mérito reconhecido e, por isso, perdera seu interesse pelo trabalho.
Seja atencioso com todos os seus empregados, indistintamente: quando necessário, puna ou premie a quem realmente merece, independente de quem seja.
Reconheça e divulgue os méritos do seu pessoal.
Alguns técnicos de futebol têm a fama de usarem a seguinte expressão:
“--- Eu venço, nos empatamos, eles perderam”
Da mesma forma há lideres que se apoderam de ótimas idéias ou trabalhos de seus subordinados e divulgam-nos como se fossem seus, enquanto os fracassos são atribuídos aos seus funcionários.
Se você pretende ser líder, jamais faça isso ou sua equipe se sentira frustrada e até roubada.
Mantenha seu pessoal bem informado.
Os boatos são comuns na empresa, principalmente em épocas de crises. Não deixe que sua equipe se debata em duvidas e incertezas quanto à situação. Planos e expectativas da empresa, pois, isto faria com que ficassem inseguros e intranqüilos.
A menos que haja razoes plenamente justificáveis para não fazê-lo, mantenha seu pessoal a par do que ocorre no setor e na sua organização, principalmente quando ele (o empregado) poderá ser afetado pelas ocorrências e mudanças.
Treine seus empregados:
Todo empregado, ou pelo menos a maioria, pretende progredir no trabalho. E para isso tem que aprender muitas coisas, quando essa oportunidade lhes é dada, sente-se muito motivados. Permite que sua equipe esteja em constante aperfeiçoamento.
Você mesmo poderá ensinar-lhes muitas coisas: faça reuniões peça e troque idéias eles se sentirão importantes e por fim motivados.

CONCLUSÃO:
Pelo trabalho efetivado, conclui-se ninguém pode pretender tornar-se líder de um dia para o outro. Nenhuma liderança pode ser imposta, ou não seria uma liderança autentica, mas sim um despotismo.A verdadeira liderança não impõe: estabelece-se naturalmente, através de seus próprios méritos, e por esses méritos é que ela deve ser conquistada.Eis uma verdade a liderança deve ser conquistada.A partir daí, é preciso compreender também que todo processo da conquista e gradativo; há que inspirar confiança e transmitir segurança, e tais atributos só são percebidos pelos subordinados graças a uma sucessão de atos a atitudes do líder, no dia a dia.O importante é que se o fardo é pesado, também não é menos gratificante. A liderança é, talvez, o passo mais próximo da auto-realização.
Tudo o que se elabora hoje sobre liderança no trabalho tem como base o desempenho de lideres como Taylor, Argyris, Elton Mayo entre outros que tem o mérito inegável de terem tentado esquematizar um tema tão controvertido. Portanto liderar é a arte de trabalhar dentro de uma equipe, influenciando e motivando os integrantes desta equipe a atingir os resultados juntos e da melhor forma possível.O trabalho “Equipes de trabalho” passa uma visão simples mais objetiva de como se deve trabalhar com diferentes equipes, desta forma mostra o caminho que deve ser seguido  por todos que pretendem ser futuros administradores de empresa, como também quem já trabalha na área, e necessita de uma orientação.



REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Gomes, F, M. Gerencia Participativa. 1º Ed. Ed. Biblioteca do Exercito. 1986.

Baker, S. Odeio Reuniões. 10º Ed. Editores Melhoramentos. 1993.

Serra, F. Liderança no Trabalho. 1º Ed. Editora Tecnoprint S.A. 1986.

Amaru, A, C. Gerencia de Trabalho de Equipe. 3º Ed. Livraria Pioneira Editora. 1989

Marins Filho, L, A, Administrar Hoje. 11º Ed. Editora Harbra LTDA.1988.





24/06/2011

HISTÓRIA - SOMBRAS DA ESCRAVIDÃO

“O homem, porém, por mais abatido e rebaixado 
que seja em sua dignidade, em sua vontade e liberdade,
pela prepotencia do seu semelhante, 
tende sempre a sacudir o jugo.”
Agostinho Perdigão Malheiros

       A escravidão no Brasil teve iniciou ainda na primeira metade do século XVI, com início das atividades de produção de açúcar. Os colonizadores portugueses traziam os negros de suas colônias estabelecidas no continente africano para utilizar como mão-de-obra escrava nos engenhos. O transporte de escravos era uma atividade altamente rentável na época. Os negros eram tratados como simples mercadorias, sendo submetidos a péssimas condições de higiene e conforto, amontoados nos porões dos navios negreiros. Durante a viagem entre a África e o Brasil, muitos ficavam debilitados e acabavam morrendo.

        Os escravos negros, raptados de sua terra natal (principalmente da África Setentrional) onde hoje estão, por exemplo, Angola, Moçambique e a República Democrática do Congo) e levados a um lugar estranho, eram controlados com mão-de-ferro pelos senhores de engenho, que delegavam aos feitores e outros agregados a fiscalização dos cativos.
         Os castigos físicos, como o açoitamento, estavam entre os métodos de intimidação que garantiam o trabalho, a obediência e a manutenção dos servos e se prolongaram pelos mais de 300 anos de escravidão no Brasil. Uma grande estrutura de controle dos escravos também foi criada, tanto no nível da administração colonial quanto dos próprios senhores de escravos, com seus capitães-do-mato - profissionais especializados na recaptura de escravos fugitivos - e outros agregados, além da própria rede de informações informal que servia para controlar os fugitivos. Como a condição de escravo era simplesmente determinada pelas características raciais dos subjugados no Brasil, era praticamente impossível a fuga e a reinserção social de eventuais fugitivos. O estigma da cor da pele foi determinante para o prolongamento da escravidão por mais de três séculos no país." 
São Paulo (Estado). Secretaria de Comunicação. 
Escravidão no Brasil. São Paulo: Secretaria de Comunicação, 
[200-]. Disponível em: . Acesso em: 4 ago. 2009.
       A escravidão como entendemos não é fruto só do Brasil esta pratica se estendia pela America toda, um escravo no século XVII narra os horrores e como eram tratados ao chegarem nos Estados Unidos da America do Norte, ele se chamava G. Vassa e diz:
      “Nos conduziram imediatamente ao pátio ... como ovelhas em um redil, sem olharem para idade ou sexo . Como tudo era novo, tudo que vinha causava-me assombro. não sabia o que diziam, e pensei que esta gente estava verdadeiramente cheia de magia” A um sinal de tambor, os compradores corriam ao pátio onde estavam presos os escravos e escolhiam o lote que mais lhe agradava ... Desta maneira, sem escrúpulos, eram separados parentes e amigos a maioria para nunca mais se voltarem a ver. Relato tirado do livro estados unidos - da colônia à independência - de leandro karnal fábbio xavier - o cruel
        Assim os escravos eram tratados como objetos, nesta linha o Brasil também barbarizou no que diz respeito a escravidão de seres humanos, alguns relatos impressionam pela frieza e riqueza de detalhes, um Capitão Inglês conta o que viu no porão de um navio negreiro descreve como sofriam os negros para chegarem ao continente brasileiro chama atenção. “Os vivos, os moribundos e os mortos eram amontoados em uma grande massa. Alguns desafortunados no mais lamentável estado de varíola, doentes com oftalmia,alguns completamente cegos; outros,esqueletos vivos, arrastando-se com dificuldade, incapazes de suportar o peso de seus corpos miseráveis. Mães com crianças pequenas, penduradas em seus peitos, incapazes de dar a elas uma gota de alimentos,(...)era surpreendente: todos estavam completamente nus. Seus membros tinham escoriações por terem deitados sobre o assoalho por tanto tempo.no compartimento inferior o mau cheiro era insuportável. Parecia inacreditável que seres humanos sobrevivessem naquela atmosfera,” 
(Historia do Brasil. 2.Ed. São Paulo:Folha de São Paulo/Zero Hora 1997. P.73)
        Ainda os documentos históricos mostram como era visão que se tinha do escravo, tratado realmente como um objeto, os vendiam como um chapéu, um animal, abaixo temos alguns anúncios de jornais sobre escravos a fonte de pesquisa e do livro "O Escravo nos Anúncios de Jornais Brasileiros do Século XIX", 
Gilberto Freyre (editora Global,). 
Os textos mantêm a grafia da época e eventuais erros do original.

$000 DE GRATIFICAÇÃO
Fugio de Francisco Antonio Ribeiro, de sua chacara do rio Cumprido na villa de Serra huma sua escrava de nome Benedita altura baixa, cor de formiga com dois dentes tirados na frente, com nica cicatriz debaixo do queixo, muito civilisada, e com um dedo da mão direita aleijado por ter soffrido de um panarisço, desconfia-se andar pelos certões da mesma villa ou por esta cidade procurando essas pessoas que costumão dar asilo a escravos fogidos para os comprar por força e a troca do barato: quem della der noticia pegalla, metella na cadeia, ou entregala nesta cidade ao Sr. Antonio Francisco Ribeiro, ou na villa da Serra a seu Sr. sera gratificado com a quantia acima, e protesta-se com todo rigor das leis contra quem a tiver acoitado”

“Vendas:
ATTENÇÃO.
Vende-se para o mato uma preta da costa de idade de quarenta e tantos annos, muito sadia e bastante robusta, sebe bem lavar e cozinhar o diário de uma casa, vende-se em conta por haver precisão, NO BECO LARGO, N. 2, NA MESMA CASA VENDE-SE UMA TARTARUGA VERDADEIRA.“


“Vende-se uma escrava muito moça, bonita figura, sabe cosinhar e engommar e é um perfeita costureira, propria para qualquer modista: na botica de Joaquim Ignacio Ribeiro Junior, na praça da Boa-Vista.”

“Vende-se um bom escravo de meia idade por commodo preço: na rua da Praia n. 47, primeiro andar.”

“Vende-se um mulato de 22 annos de idade, bom alfaiate, e bom boleeiro, e um negro tambem do mesma idade, e uma negra de meia idade, que cozinha muito bem, e coze, de muito boa conducta, e outra negra de 22 annos, que cozinha muito bem: na rua do Livramento n.4”
Jornal Correio da Tarde de 1848 – Arquivo Nacional. Seção de Biblioteca.

“Vende-se um rapaz de 18 annos de idade, pardo escuro, alfaiate, muito sadio, e proprio para pagem, por ser de bonita figura: na rua S. Pedro nº 312.”
Jornal Correio da Tarde de 1848 – Arquivo Nacional. Seção de Biblioteca.
       Enfim, os escravos eram comercializados de todas as formas, as pessoas mais modestas certamente procuravam comprar ao menos um “moleque” para carregar os pacotes quando saíam às ruas, ter um escravo era sinal de prestigio sobre a sociedade da época, os mais abastados tinham dezenas de escravos domésticos, também aqueles que desempenhavam suas funções na lavoura, assim se deduz que a escravidão no Brasil estava intimamente ligada a questão do poder e prestigio.
        O cativo já em sua chegada aos portos brasileiros - tidos como peças, coisas ou propriedades - perdia sua origem, sua personalidade, seu antepassado, nome, bens próprios, enfim, eram “sujeitos”. Em contrapartida, muitos se amotinaram, não aceitavam a situação que lhes era imposta, era uma resistência anunciada, assim assevera Machado em sua obra que aduz “(...) história de homens e mulheres que quebraram as rígidas regras sociais de deferência, ultrapassando os códigos jurídicos, humanizando seus atos, transgredindo o silencioso papel que lhes foi reservado. Desafiando o aparelho repressivo que os marcou com açoites, os ferros e a força” ainda o autor assevera “queriam da cabo ao mau trato que lhe dispensavam; pelo desespero com o rigorosismo de vida a que o sujeitavam; inconformados com as injustiças a que eram vítima”.
       Nesta linha se ressalta inúmeros casos de negros que fugiam por não concordarem com o açoite, castigo, confinamento e toda sorte de humilhação possível, no mesmo instante eram caçados como animais. Procurados, dignos de notas em jornais da época.

“Escravos Fugido.
ATTENÇÃO

Fugio desde o dia 13 de agosto do corrente anno o escravo Luiz, com os signaes seguintes: alto e bem feito de corpo, tem dentes limados e perfeitos e o dedo mínimo do pé cortado; quando falla com mêdo é bastante gago. Este escravo é natural do Sobral e ha toda certeza que seguio para dito lugar por terra. pede-se por tanto a sua apprehensão a qualquer pessoa, que será bem recompensado; a ntender-se com o seu senhor na rua Direita n. 112, ou na rua de Apollo n.43, armazém de assucar. “


"ESCRAVO FUGIDO
Gratifica-se generosamente a pessoa que apreender o escravo mulato de nome Belizário, pernambucano ou baiano, idade 20 anos, principiando a buçar, e poucos fios de barba, tem um sinal branco no tornozelo do pé esquerdo.
Este escravo fugiu de Itu a José Galvão de França Pacheco Junior no dia 25 de janeiro próximo passado, e foi encontrado no dia 29 na Varginha em direção para São Paulo, trazendo camisa de chita e calça de casimira, e cobertor francês branco. Poderá ser entregue em Itu ao dito José Galvão ou em São Paulo aos senhores Redondo e Coelho na Rua do Comércio n. 42, que se satisfará a gratificação."


“Em resposta ao anúncio de vinte e dois do corrente, declara-se que fugiu na rua Nova do Imperador, nº 13 no dia 20 à tarde, um preto com os signaes seguintes: estatura regular cor retinta, falta de cabelo na frente, olhos grandes, dentes amarellados; tem idade cerca de 30 anos; levou vestida camisa branca com colarinho azul, a calça de enfiar no riscadinho da mesma cor e uma trouxe com um cobertor e um barrete.
“As vistas dos signaes acima, o autor do referido annuncio terá a bondade de mandar entregar o dito escravo na rua Nova do Imperador nº 13 ou na rua Direita nº82, que se dará 50$000 réis da gratificação no caso de exigir”.

Arquivo Nacional. Jornal Correio da Tarde nº 209/211, Rio de Janeiro. 23 e 25 de setembro de 1848.
       Na edição do jornal “O Brado Conservador”, publicado na cidade de Assú, no dia 23 de setembro de 1881, informa que na fazenda “Sant’Anna”, fugiu um escravo que atendia pela graça de Antônio.
      Este cativo era “peça” que pertencia ao Senhor João pereira da Circuncisão e estava “alugado”, ao Senhor Francisco Xavier de Albuquerque Montenegro. Estes senhores tinham propriedade no lugar Ilha de São Francisco, em Macau. O cativo Antônio, de “30 annos de edade, pouco mais ou menos”, é descrito primeiramente como “cabra”, que segundo a “Grande Enciclopédia Delta Larousse”, página 1.166, edição de 1978, designa “Descendente de mulato com negro; mulato escuro”. Na sequência o fugitivo teria “altura regular” (cerca de 1,70 m.), andava curvado, tinha o cabelo “carapinho” (daqueles que nascem espiralados desde a raiz), vestia camisa e calça brancas, de “algodão da Bahia”, e havia um toque sertanejo na sua indumentária, pois Antônio protegia a cabeça com um tradicional “chapéu de couro”.
        Seu dono pedia que quem o capturasse o trouxesse para a fazenda Ilha de São Francisco, em Macau, ou na fazenda São Pedro, de propriedade do Senhor Honório Xavier da Cunha Montenegro, provavelmente irmão do Senhor Francisco Xavier. Estes ofereciam pela captura do fujão a quantia de 50$000 réis.

“(...) fugiu da praia do Botafogo nº 98 B, um pardo por nome Manoel Galdino, alfaiate e cocheiro, sabe ler e escrever, he filho da Bahia, tem cabbelo annellado, olhos pretos, sobrancelhas cerradas e em uma delas um pequeno signal de uma queda; nariz chato, pouca barba e tem buço: levou vestido jaqueta branca calça escura, calçado de botins, chapeo dechile e montado em um cavalo baio claro de carro, calçado dos três pés, estrella branca na testa, clina e caudas preta, com sellim e arreio novos”.
Arquivo Nacional. Jornal Correio da Tarde nº 267, 
Rio de Janeiro. 04 de Dezembro de 1848.

        Esta do ano de 1881, do dia 29 de dezembro, dando conta que há quase dois anos, um cativo de nome Francisco estava foragido da então povoação de Luís Gomes, no extremo oeste potiguar. O dito escravo pertencia ao Senhor Álvaro de Almeida Cavalcanti, que aparentemente seria proprietário das terras da fazenda Lagoa de Cima, próximo a atual área urbana de Luís Gomes.

       A descrição deste escravo é bem interessante. Francisco era um adulto de 44 anos, alturaregular, bons dentes, etc. Mas salta aos olhos o termo “mãos bem pinta das de branco”. Creio que a nota queria dizer que, além das palmas das mãos de Francisco ser bem claras, não seriam mãos rudes, cheias de calos, de quem pegava todo o dia no cabo da enxada. Mas seriam mãos de quem tinha de ter destreza e apuro com ferramentas necessárias a função de um sapateiro, de um caldeireiro (certamente de um engenho de rapadura, onde ele deveria preparar e limpar a garapa da cana-de-açúcar para fazer a rapadura batida), e de um tocador de viola. Estas, segundo a antiga nota de “O Brado Conservador”, eram as aptidões do escravo fujão.
          Consta que o fugitivo foi comprado pelo Senhor Álvaro três anos antes de sua fuga, no ano de 1877, em plena seca. Talvez seu antigo dono Francisco da Costa, se desfez da sua “peça” por dívidas contraídas no período da grande estiagem, ou porque seu escravo dava muito trabalho pela sua rebeldia.
         Sabe-se através da nota que Francisco não era aquele tipo de escravo destinado apenas a enxada e que certamente ele tinha capacidade de compreender a lógica escravocrata do mundo dos brancos. Pois em maio de 1881, um ano e três meses depois de fugir de Luís Gomes, ele esteve em Natal.
Na época a capital potiguar não tinha nem 20.000 almas, com estradas que faziam com que a tarefa de seguir para Luís Gomes não fosse uma viagem, mas uma jornada, quase uma expedição (atualmente esta cidade está distante de Natal, no asfalto, 444 quilômetros). Independente desta questão, consta que em Natal ninguém “reclamou” a sua pose e ele saiu livre.
         
         Não é difícil imaginar como Francisco pode ter utilizado de uma boa “conversa” e, quem sabe, de alguns acordes da viola para convencer as autoridades que era um homem livre. Provavelmente a notícia da detenção de seu escravo deve ter chegado ao conhecimento de seu amo na povoação de Luís Gomes e este estava estampando nos jornais uma recompensa de 100$000 mil réis para que o levasse ao seu “Senhor” e 50$000 mil réis para quem o largasse em alguma cadeia.


         Ainda alguns relatos de crimes que envolviam escravos:
“cumpre participar a V.Sª que hoje pelas quatro oras da tarde pouco mais ou menos, hum prezo sentenciado a trabalhar nesta ilha deu oito facadas sendo duas mortáes, ser huma em baixo ventre e a outra por baixo do coração no lado esquerdo; e huma preta que costumava aqui vir vender quitanda da cidade, a qual p estar em risco de vida e não achar aqui hum cirurgião apezar de haveraqui hú capital, a mandei para Santa Casa de Misericórdia, e até mesmo por não saber quem é seu dono”.
Arquivo Nacional. Processo-crime nº 1140, 
Preto Miguel Moçambique – 17 de fevereiro de 1843.

“assassinato à preta Rosa de nação benguella, escrava de D. Luiza Amália, m a Rua do Livramento pelo preto José Congo, Escravo de José V. Ventura Pinheiro, quando a mesma escrava ali se dirigia a buscar hum barril d´água no poço do beco do suspiro(...)”.
Arquivo Nacional. Processo-crime nº 1 Preta Rosa - 1843.
“...Annúncio
Na cadeia desta cidade existem quatro escravos fugidos, cujos nomes e signaes são os seguintes: João de nação Moçambique, estatura ordinária. Bem feito de corpo, com signaes nos cantos dos olhos e na testa todos voltados a maneira de meia lua, com riscos dentro dos círculos e uma orelha furada; diz ser escravo de Dona Francisca Bernarda, moradora na rua do Sabão adiante do Largo do Capim da Cidade do Rio de Janeiro e diz que a dita sua Senhora é filha de Lisboa. Frederico de nação Moçambique, baixo, cheio de corpo, dentes abertos, signaes nos cantos dos olhos e na testa todos voltados a maneira de meia lua com riscos dentro do círculo, orelhas furadas, diz ser escravo do capitão Thomaz Francisco, morador na sua Fazenda da Pedra Branca. Pedro de nação Angola, estatura ordinária, cheio de corpo, com faltas de dentes do queixo de cima, diz ser escravo do Alferes José Pereira Valverd, morador na sua Fazenda do Piau. João de nação Congo, estatura ordinária, delgado de corpo, com um signal grande no peito a maneira de um recortado e outros signaes nas costas, uma orelha furada, diz ser escravo de José Bento, morador na Villa de Barbacena. Quando não sejam procurados por seus senhores se entregues a justiça para serem arrematados a fim de se não consumirem em despesas os seus valores...”
Jornal O Universal Ouro Preto, 19.8.1838
 
      Ainda três notas que apareceram na Folhinha de Modinhas para o Anno Bissexto de 1868 (***), nas quais são relatados os assassinatos de dois senhores e de um feitor, supostamente por escravos. Vamos a elas:

22 de junho de 1866
"Na manhã deste dia, em Alambari, indo o Sr. João Rodrigues para sua roça a fim de tocar a criação para fora, foi vítima de um bárbaro assassinato, que encheu de horror a localidade. Cravaram-lhe uma faca no estômago e depois amarraram-lhe um lenço no pescoço e arrastaram-no para o brejo, onde o enterraram ainda com vida. Aí ficou a vítima enterrada até o dia 24, às onze horas da manhã, quando o encontraram. Descobriu-se então o assassino, que é um escravo da vítima de nome Silvério, e que está preso. Recaindo suspeitas de cumplicidade sobre Generoso, parceiro do assassino, foi ele também recolhido à prisão."

17 de setembro de 1866
"Na Vila do Prata (Minas) um escravo de Agostinho Fagundes do Nascimento matou a este com 18 facadas. Fagundes era fazendeiro no distrito de Monte Alegre, e a causa do assassinato foi uma repreensão que a vítima dirigiu ao assassino."

14 de outubro de 1866
"Foi assassinado o feitor Manoel Duarte Simões na fazenda do comendador Venâncio José Gomes da Costa, na Sacra Família do Tinguá. Atribui-se o fato a escravos da fazenda."

Alguns escravos não agüentando o horror em que estavam submetidos se matavam:
"Em Santa Catarina um preto escravo suicidou-se singularmente. Encheu a boca de pólvora e fê-la incendiar-se. A explosão fez com que ficasse espalhada no pavimento toda a massa cerebral contida no crânio do infeliz." Santa Catarina - 1866:
Edição de terça-feira, 5 de fevereiro de 1867 do Correio Paulistano.
        Durante o Império, a pena máxima era a de morte, sempre por enforcamento e, ao que se sabe, a última vez que se aplicou essa penalidade no Brasil foi em 1876, em Pilar das Alagoas, ocasião em que foi executado um escravo de nome Francisco. Sentenças de morte posteriores foram comutadas por outras penas pelo Imperador, D. Pedro II. Além da pena de morte, O Código Criminal do Império estipulava como maiores penas a condenação às galés e a trabalhos forçados. No caso dos escravos, entretanto, o mesmo Código, na Parte 1, Título 1, Cap. 1, Art. 60, estipulava:
      "Art. 60. Se o réu for escravo, e incorrer em pena que não seja a capital ou de galés, será condenado a açoites e, depois de os sofrer, será entregue a seu senhor, que se obrigará a trazê-lo com um ferro pelo tempo e maneira que o juiz designar."
       Entenda-se: um homem livre podia ser condenado à prisão simples ou com trabalhos forçados (era privado da liberdade e, sendo obrigado a trabalhar, punido temporariamente com a condição servil). Um escravo, não. Era submetido a degradante açoitamento público e depois devolvido a seu senhor, pois não devia ficar sem dar lucro a quem detinha sobre ele o direito de propriedade.

         O fim desta barbaridade se deu com a Lei Aurea. Princesa Isabel, Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva (autor da Lei Áurea) e membros do gabinete em 1888.
A lei nº 3.353, (de autoria de Rodrigo Augusto da Silva, Ministro dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e interino dos Negócios Estrangeiros, Deputado e depois Senador) de 13 de maio de 1888, que não previa nenhuma forma de indenização aos fazendeiros, dizia:

“ Declara extinta a escravidão no Brasil:
A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral decretou e ela sancionou a Lei seguinte:
Art. 1°: É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.
Art. 2°: Revogam-se as disposições em contrário.
Manda, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram, e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.
O secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e interino dos Negócios Estrangeiros, Bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de sua Majestade o Imperador, o faça imprimir, publicar e correr.
Dada no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, 67º da Independência e do Império.
Princesa Imperial Regente.
Rodrigo Augusto da Silva
Carta de Lei, pela qual Vossa Alteza Imperial manda executar o Decreto da Assembléia Geral, que houve por bem sancionar, declarando extinta a escravidão no Brasil, como nela se declara. Para Vossa Alteza Imperial ver. Chancelaria-mor do Império.- Antônio Ferreira Viana.
Transitou em 13 de Maio de 1888.- José Júlio de Albuquerque. “
        Assim relatar o martírio que muitos sofreram nas mãos de coronéis, donos de fazendas e entre outros se faz necessário para que esta ferida da historia sirva de exemplo a toda a raça humana.
        Devemos tratar seres humanos como seres iguais, nunca a pele deve servir de apelo para atrocidades, no final os sentimentos são iguais:

FONTE DE PESQUISA:
O trabalho de Marilene Rosa Nogueira da Silva “Negro na Rua: a nova face da escravidão” da editora
Hucitec, 1988, é um dos trabalhos que tratam desta questão do negro inserido à Cidade. Também nas gravuras de

DEBRET, Jean Baptist. “Viagem Pitoresca ao Brasil. Século XIX, (1827)” é uma boa sugestão para a
constatação deste fato.
Jornal Correio da Tarde de 1848 – Arquivo Nacional. Seção de Biblioteca.

MACHADO, Maria Helena Pereira Toledo. “Crime e escravidão: trabalho, luta e resistência nas lavouras
paulistas. 1830-1888 ”. Ed. Brasiliense,1987.

Arquivo Nacional. Processo-crime nº 1140, Preto Miguel Moçambique – 17 de fevereiro de 1843.

Arquivo Nacional. Jornal Correio da Tarde nº 209/211, Rio de Janeiro. 23 e 25 de setembro de 1848.

Arquivo Nacional. Jornal Correio da Tarde nº 267, Rio de Janeiro. 04 de Dezembro de 1848.


Folhinha de Modinhas Para o Anno Bissexto de 1868, Rio de Janeiro, Antônio Gonçalves Guimarães e Comp.